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Eletrobras e a soberania nacional ameaçadas

Escrito po: Wil Pereira - presidente da CUT-CE

24/08/2017

ARTIGO
 
Nos anos 1990, um projeto neoliberal privatizou um conjunto de empresas estatais integrantes do antigo Sistema Telebras. Hoje, vemos o filme se repetir, mas num cenário piorado. Já temos provas suficientes que o discurso da busca por excelência, eficácia e redução de preços para o consumidor final são pura falácia. De volta ao presente, a bola da vez é o recente anúncio da privatização do setor elétrico. A lógica do governo ilegítimo é a mesma desde que o golpe se consolidou: retirar direitos. O caso é grave, porque não é só mais uma entrega do patrimônio brasileiro, como também uma ameaça à soberania nacional.
 
 
A empresa de telefonia Oi é apenas um dos exemplos, catastróficos, do que ocorreu no passado. Às voltas com uma recuperação judicial, já soma R$ 65 bilhões em dívidas – sendo mais de R$ 20 bilhões deles ao próprio erário federal. Nem os cofres públicos ganharam com isso, muito menos existiram ganhos sociais relevantes com aquela privatização.
 
 
Áreas essenciais para o progresso nacional e o avanço econômico – como o setor elétrico – nem deveriam ser cogitadas para processos de desestatização. Reduzir o rombo das contas públicas por meio da privatização da Eletrobras não é uma medida positiva para o País, como anuncia o Governo Federal e alardeiam euforicamente o mercado financeiro e os grandes grupos hegemônicos de comunicação. Pelo contrário: vender a maior empresa estatal de energia da América Latina impactará, de forma negativa, no planejamento energético, no desenvolvimento e até nas contas de luz.
 
 
O desmonte da Eletrobras é mais um retrocesso promovido por esse governo e que vai privar milhares de brasileiros do acesso à energia. Nós, que integramos o movimento sindical brasileiro e as organizações populares, somos veementemente contra essa medida. A Frente Parlamentar em Defesa do Setor Elétrico já manifestou preocupação com os rumos do setor. Só nos últimos 15 anos, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), houve pelo menos 180 casos de reestatização em 35 países, ente eles: Alemanha, França e Argentina. Dando seguimento ao anunciado pelo Ministério de Minas e Energia, o Brasil caminhará na contramão do progresso.
 
 
(*) Artigo publicado originalmente na edição do jornal O POVO do dia 24 de agosto de 2017
 
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